Nos meses de julho e agosto, 75 profissionais da FeSaúde participaram de dois encontros de formação sobre o cuidado em situações de crise na atenção psicossocial. A iniciativa reuniu empregados que atuam nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades de Acolhimento, Centro de Convivência e Cultura, Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) e unidades do Programa Médico de Família (PMF).
A formação teve como proposta ampliar a reflexão sobre as situações de crise e fortalecer estratégias de cuidado construídas de forma coletiva e articulada entre os diferentes pontos da rede. Os encontros contaram com a participação da enfermeira Aline Basílio, assessora de Enfermagem da Superintendência de Saúde Mental do Rio de Janeiro, e de Maycon Torres, professor de Psicologia Clínica e Saúde Mental da Universidade Federal Fluminense e supervisor de estágio obrigatório em Atenção Psicossocial dos estudantes em vários serviços da RAPS.
A partir das contribuições dos convidados e das experiências dos próprios empregados da FeSaúde, foram abordados temas como a crise psiquiátrica, os diferentes aspectos envolvidos no sofrimento psíquico, estratégias de intervenção e manejo, construção do cuidado em rede e importância dos processos compartilhados entre profissionais e serviços.
“O cuidado da crise é uma das ações prioritárias da RAPS e a formação para este cuidado era uma demanda dos profissionais. Fazer esta formação em rede fortaleceu a troca entre serviços e a construção compartilhada de ações para o acompanhamento de casos graves”, destaca Tatiana Simões, supervisora da Gerência de Atenção Psicossocial.
A discussão ganhou contornos práticos com uma simulação conduzida por Aline Basílio. Diante de uma simulação de situação de crise, os profissionais foram desafiados a avaliar o caso e construir coletivamente as possibilidades de cuidado. A atividade trouxe para o centro do debate questões que atravessam o cotidiano dos serviços como reconhecer e compreender uma crise, quais estratégias mobilizar e como tomar decisões diante da complexidade de cada situação.
“A proposta é justamente provocar esse olhar para a prática. Em uma situação de crise, não existe uma resposta isolada: é preciso compartilhar decisões, articular diferentes saberes e construir o cuidado em equipe. A simulação nos permite refletir sobre como fazemos isso no cotidiano e também sobre desafios que encontramos nesse processo, mesmo que as ações precisem ser repensadas a cada vez”, afirma Camila Donnola, Gerente de Atenção Psicossocial.
Ao colocar profissionais de diferentes serviços diante de uma mesma situação de cuidado, a atividade reforçou a corresponsabilização como elemento central da atenção à crise. O cuidado não se encerra na atuação de um profissional ou de um serviço, mas se constrói na articulação entre equipes, saberes e recursos disponíveis na rede.
Ao aproximar reflexão e prática e promover o diálogo entre os profissionais, os encontros se consolidaram como espaços de troca, experimentação e construção coletiva. A iniciativa contribui para fortalecer as equipes e a articulação da rede, qualificando o cuidado compartilhado diante da complexidade das situações de crise.
