Niterói recebeu, nesta terça-feira (05), cerca de 60 profissionais de saúde de Bolonha – Região da Emília Romanha, na Itália, para uma imersão na rotina da Atenção Primária à Saúde do município. A visita técnica foi realizada no módulo do Médico de Família Preventório, em Charitas, e integrou a programação do "Workshop Internacional: engajamento da comunidade no cuidado à saúde".
A atividade reuniu enfermeiros, médicos, pesquisadores e outros profissionais ligados à Universidade de Bolonha, que vieram ao Brasil para conhecer, na prática, o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) em nível local. A iniciativa foi articulada pela Universidade Federal Fluminense, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói.
“É com muito orgulho que a gente pode compartilhar um pouco do trabalho desempenhado pelo nosso sistema de saúde aqui em Niterói em uma troca de experiências com Bolonha. Isso é enriquecedor e possibilita um avanço importante para ambos os lados”, afirmou a secretária municipal de saúde, Ilza Fellows.
Divididos em grupos ao longo dos turnos da manhã e da tarde, os visitantes acompanharam diferentes frentes de trabalho da unidade, observando de perto o atendimento, a organização das equipes e a relação dos profissionais com o território. A proposta foi proporcionar uma experiência direta com o modelo brasileiro de Atenção Primária à Saúde, marcado pela atuação multiprofissional e pelo vínculo com a comunidade.
Para a diretora-geral da FeSaúde, Maria Célia Vasconcellos, o intercâmbio representa uma oportunidade de aprendizado mútuo. “Receber profissionais de outros países na nossa rede é uma oportunidade valiosa de troca. A Atenção Primária Saúde de Niterói é construída no dia a dia, com forte vínculo com o território, e esse tipo de experiência fortalece ainda mais o nosso trabalho”, afirmou.
A professora da Escola de Enfermagem da UFF, Ana Lucia Abrahão, destacou que o interesse internacional pelo SUS tem crescido justamente pela sua dimensão e capilaridade. “Há um grande interesse em entender como operamos um sistema tão amplo. É nesse diálogo que surge a oportunidade de vivenciar, mesmo que por um curto período, como os profissionais brasileiros fazem o SUS acontecer”, explicou.
Durante a visita, os profissionais italianos puderam observar práticas como o trabalho em equipe, as visitas domiciliares e a atuação dos agentes comunitários de saúde.
A médica de família italiana Susanna Aere chamou atenção para essas diferenças. “Na Itália, os médicos atuam de forma mais individual. Aqui, vemos uma integração muito forte com o território e a população. Isso torna o cuidado mais próximo e, na minha visão, muito enriquecedor”, avaliou.
A experiência em Niterói teve como objetivo ampliar o olhar sobre diferentes formas de organização do cuidado e fortalecer o intercâmbio de conhecimentos entre os dois países, promovendo reflexões sobre práticas que podem ser adaptadas a diferentes contextos de saúde.
Para Ana Paula Gregório, gerente de Ensino e Produção do Conhecimento da FeSaúde, “a visita técnica é uma potente estratégia de formação que promove a inserção de estudantes e profissionais nas unidades de saúde, fortalecendo a integração ensino-serviço. Essa parceria, construída ao longo do tempo com a UFF, reafirma o compromisso institucional com a qualificação do cuidado e com a produção de conhecimento".
Essa não é a primeira vez que as duas cidades trocam experiências na área da saúde. Em 2023 Luca Rizzo Nervo, então secretário de Saúde, Bem-estar, Nova Cidadania e Fragilidade do Município de Bolonha, esteve no Médico de Família do Bernardino, e pôde conhecer um pouco do sistema de saúde do município e os fluxos de trabalho no território.
Programa Médico de Família de Niterói - A escolha de Niterói como destino da visita não foi por acaso. O município é reconhecido nacionalmente pela consolidação de um modelo robusto de Atenção Primária à Saúde, centrado no cuidado territorial e na atuação integrada das equipes.
Implantado em 1991, o Programa Médico de Família de Niterói nasceu de um convênio internacional de cooperação técnica com Cuba, que possibilitou a construção de uma proposta pioneira, adaptada à realidade brasileira e alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS): universalidade, integralidade e equidade. Reconhecido como uma das principais experiências de Atenção Primária à Saúde no país, o programa consolidou o município como referência nacional e inspirou a criação de políticas públicas como o Programa Saúde da Família, a Estratégia de Saúde da Família e os Núcleos de Apoio à Saúde da Família.
Atualmente, o programa conta com 45 módulos, 115 equipes de Saúde da Família, 37 equipes de Saúde Bucal, nove equipes multiprofissionais e duas equipes do Consultório na Rua, garantindo atendimento contínuo e humanizado a mais de 220 mil pessoas cadastradas.
